Sessão Reservada: [Resenha] O Artífice

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Editora parceira: Universo dos Livros | Resenha por: Clara Monnerat 
Sinopse: "Em dias de tempestade, um assassino que mata através de armadilhas extremamente elaboradas vem enganando a polícia londrina numa série de crimes inusitados. Haryel Kitten é um detetive inteligente, prático e muito dedicado ao seu trabalho,que agora tem o desafio de desvendar o que há por trás desse mistério."

Quando fui pesquisar alguns títulos da Universo para resenhar, me deparei com esse, publicado há três anos, um suspense que aborda o tema do budismo, um tema que sempre me fascinou então esse foi o escolhido.

Assim que comecei a leitura, o detetive Haryel Kitten é assinado o caso do serial killer que está fazendo vítimas que aparentemente não tem nenhuma ligação. As mortes são das maneiras mais inusitadas: minas estrategicamente localizadas em um lugar onde a vítima pise, flechas acionadas por um dispositivo quando uma porta é aberta e por aí vai. Sempre que o assassino acrescenta uma vítima à sua coleção, está chovendo.Juntamente com seu colega Paul, Haryel tem que descobrir quem está por trás dos crimes e o porquê.

No primeiro capítulo, já há um encontro inusitado que flerta com o sobrenatural: enquanto andava pelas ruas londrinas, o detetive encontra uma cigana que lê sua palma e afirma: "Sábios são os que buscam a sabedoria:loucos são os que já a possuem." Logo ao investigar o primeiro corpo, ele encontra uma pista:um colar com aspecto oriental,provavelmente chinês ou hindu com um misterioso bilhete. Ele tem a ideia de procurar um monge budista que possa ajudar a decifrar alguma mensagem que aquele artefato possa transmitir.

É aí que o livro se torna ainda mais interessante. O monge que Paul e Haryel encontram fala do Chan, a meditação contemplativa característica do budismo. O bilhete que o assassino deixou está escrito nessa filosofia: "Corre o rio em direção ao mar,e os peixes se aglomeram em cardumes enquanto o vento movimenta as árvores. Essas barram seu curso mas mesmo assim ele atravessa as folhagens. A verdade é que o vento não existe,e não se pode ver o vento, mas ele está lá porque o sinto em minha face.Volta então o rio até a nascente,que em nada é diferente do mar e sua dureza apenas revela o quanto é flexível sua essência. A verdade é que embora o duro e o mole não existam, vão-se todos os dentes mas a língua fica."

Só por esse trecho já dá para perceber como a história é bem escrita. Só para aumentar a tensão,há alguns capítulos ao longo da narrativa em que o assassino planeja suas próximas ações. Só para constar:um artífice é um termo usado para designar um operário especializado em uma determinada área ou artesão, artista. 

Tony Ferraz nos trouxe uma obra policial bem-dosada com misticismo e suspense e toques de comédia. O final foi ambíguo e deixou espaço para múltiplas interpretações. 

Gostei do livro e fiquei sabendo que o autor lançou a sequência na Bienal: Entrevista com o demônio. Espero lê-la em breve!


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