As entrevistas de Animais Fantásticos: secreta dançarina Katherine Waterston

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Katherine Waterston interpreta Tina Goldstein em Animais Fantásticos e onde habitam. Aqui, ela conversa com o correspondente do Pottermore sobre os passos secretos de dança de Tina e o que ela ama nos personagens de J.K.Rowling 

Katherine dá as boas-vindas e me faz subir três lances estreitos de escada até chegar ao seu trailer. Ela ainda está de fantasia, vestindo as calças da Tina e um top de pijama. ´A ideia é que pareça que eu tenha que fugir de casa, tendo acabado de levantar´, ela diz da cena que acabaram de filmar.

Há uma mala aberta no sofá,  scripts no chão, um saquinho de chá solitário esquecido na pia da cozinha. É precisamente a pequena bagunça que você esperaria ver dentro do refúgio de um ator. 


A face serena de Tina leva uma quantidade mínima de maquiagem e cachos castanhos caídos dos lados. Como sua personagem, seu comportamento sugere um certo pragmatismo, bondade e gentileza. 

Na verdade, a coisa mais amável que já vi durante meu tempo no set foi Katherine preparando para filmar  uma cena de alta intensidade com Eddie Redmayne. Assim que ele centra na frente da câmera, Katherine tem um ritual para entrar no personagem:ela faz uns passos de dança Charleston. 

Caso você não saiba,a dança Charleston é um estilo de dança dos anos 1920, compreendendo movimentos alegres dos braços e pernas, para frente e para trás no mesmo lugar. Evoca aquela época perfeitamente. 


"Ah, sim", ela diz rindo generosamente quando menciono que a flagrei fazendo isso um dia no set. 

Aquilo...

Um momento passa enquanto Katherine decide o quanto deve me contar.

"É fundamental ter um ritual como esse porque todo dia coisas inesperadas acontecem. Há muita informação para processar e muitas distrações e nós estamos contratados para nos mantermos concentrados naquele caos", ela diz. 

"Às vezes vem naturalmente ; noutros dias você precisa se sentir mais conectado ao personagem ou à performance. Então eu faço algo para cada personagem que me conecte ao seu espírito. Não deve estragar a vibe do momento, apenas me fazer parte dele. É uma expressão física da minha vida íntima. "


É sempre a dança Charleston, eu pergunto ou é um especial Tina Goldstein? 

"Ela não tem muita diversão em sua vida. No filme ela se diverte mas na sua vida ela é bem solitária e ela se isola bastante e ela sofre de insegurança. Gosto da ideia de ela ter essa pequena dançarina dentro dela esperando para ser libertada, ela tem esse espírito nela."

Desde ler o roteiro pela primeira vez,Katherine passou muito tempo na pele sensível de sua personagem. Quando conhecemos Tina no filme, ela perdeu seu emprego como uma Auror e está no impasse de sua vida; a mulher de negócios sem uma carreira. Ela está morando com sua irmã, Queenie, em Nova York. Ela é ambiciosa, ela é dedicada, ela é forte e frágil, tudo junto. Ela é um ser humano profundo e complexo. 


"Essa é a grande questão dos personagens de J.K. Rowling", Katherine me conta. Sempre há mais para eles do que você espera. Tina não é tímida ou esquisita e ela sempre age com bastante coragem e convicção.Essas qualidades estão juntas em uma pessoa e isso parece ser mais verídico à minha experiência de como os seres humanos são. Somos todos uma bela bagunça. 

O roteiro é esperto dessa maneira. É baseado na realidade. Normalmente não respondo tão bem à coisas inocentes e adoráveis. Penso: "vamos logo acabar com isso". Mas há algo sobre esse roteiro e o modo como J.K.Rowling escreve sobre isso... É suave mas sem parecer forçado. Gosto de pensar que há essa pessoa realmente alegre em Tina mas ela ainda não descobriu como entrar  nesse mundo. A vida dela não funcionou desse jeito. Ela ainda não tem tempo para isso, ainda não descobriu uma maneira de transformar seu sonho em realidade- ela está ocupada demais sonhando para aproveitar a realidade.

E isso é algo que ela, Katherine, se identifica\ Quanto de Katherine há em Tina?
"Isso é algo que eu me identifico" ela diz, pensando. Estava concentrada demais no meu trabalho aos vinte e pouco anos. Eu não ficava vagabundeando demais. Há algo de mim nisso em Tina também. Ela sabe o que ela quer estar fazendo e como chegar lá mas ela não sabe jogar bem.


E é para isso o que aqueles movimentos de Charleston servem para:aquela fagulha de selvageria. Ambas Katherine e Tina são jovens e decididas mulheres. São introspectivas, gentis e bem afiadas no que fazem. Mas há uma dançarina oculta dentro delas. 

'Gosto de pensar que de vez em quando, Tina se esgueira dentro de algum lugar em que ninguém a conheça e se acaba de dançar por 10 minutos e depois ela diz, "OK, eu fiz isso" e vai para cama. É sua hora de se soltar. Ela está totalmente livre. Ela fica livre por um momento e depois volta a trabalhar. "Vamos ver se isso sai da maneira correta."

E gosto de pensar que Katherine faz precisamente isso também. Gosto de pensar que ela é essa atriz meticulosa e prevenida atriz que sai e arrisca alguns movimentos de dança ousados entre as filmagens.

Texto: Pottermore
Tradução: Clara Monnerat


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